Buscar

Olá, .

Sair

Para usar o Portal EXAME você precisa estar autenticado

Entrar

 
 

PORTFÓLIO-O Copom entre a cruz e a espada,e a Selic a 15% ao ano


17 de Outubro de 2008 | 20:31

 

Publicidade

Por Cláudio Gradilone

SÃO PAULO (Reuters) - A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 28 e 29 de outubro, será uma das mais difíceis dos últimos anos. Apesar da gritaria geral, que vem até do primeiro escalão do governo, o BC tem sido inflexível no combate à inflação. No entanto, o problema agora é bem mais grave.

Em retrospecto, o trabalho do Copom desde 2002 pode ser dividido em duas fases. A primeira, do início de 2003 a meados de 2004, foi basicamente um esforço para manter a confiança do mercado. O BC reduziu milimetricamente os juros, à medida que a melhora das condições do mercado financeiro internacional assim o permitiam.

A segunda durou de meados de 2004 a meados deste ano, e foi uma prova da maestria do BC em controlar os preços sempre que a economia brasileira acelerava demais seu ritmo. O Copom agiu corretamente em todas as vezes que a inflação ameaçou sair do controle, seja pela demanda interna, seja pelo aumento dos preços internacionais das commodities.

Agora, a situação é diferente. A contração do crédito no mercado internacional já provocou problemas no mercado interno.

A concessão de empréstimos desabou. A piada maldosa que corre é que a longa e surpreendente greve dos bancários está sendo estimulada pelas associações de classe dos banqueiros; com as agências fechadas, não é preciso sofrer o desgaste de negar empréstimos aos clientes.

Ironias à parte, os sinais de desaceleração são muitos. Diversos bancos pequenos tiveram de fazer uso das novas normas do BC para vender suas carteiras de crédito e compensar a falta de liquidez.

Montadoras e empresas de eletroeletrônicos já falam em férias coletivas, e as construtoras notaram um esvaziamento dos plantões de venda de imóveis. Tudo isso recomendaria um afrouxamento da política monetária.

O problema é que essa queda no ritmo de atividade foi acompanhada por uma elevação do dólar, que deverá ter um impacto profundo e ainda não totalmente quantificado sobre os preços.

"A queda dos preços internacionais das commodities não foi suficiente para compensar o efeito da alta de quase 40% do dólar sobre os preços", diz um economista.

Em ocasiões assim, o receituário ortodoxo que vem sendo seguido à risca pelo Copom recomendaria apertar o garrote da economia, reduzindo o ritmo de atividade e evitando o repasse da alta do dólar aos preços internos.

O problema é que essa atitude teria o impacto danoso de cortar o oxigênio do doente que apresentou uma súbita recaída. Os danos ao metabolismo econômico seriam pesados.

O Copom está, portanto, entre a cruz da inflação e a espada da recessão. O que deve acontecer?

Economistas que já participaram das reuniões do Copom são unânimes em apostar na manutenção de uma linha dura pelas autoridades monetárias. Desde sua implantação, em 1999, o Copom tem sido firme em seu propósito de implantar a política de metas de inflação.

Essa firmeza vem ocorrendo mesmo em anos críticos como 2002 e 2008, quando já se sabia bem antes de dezembro que a meta não seria cumprida. "A disciplina do Copom é algo que não ocorria na administração pública desde os tempos em que o Ministério da Fazenda registrava suas decisões com pena de ganso", diz um ex-diretor do BC.

Em seus cálculos, a taxa referencial Selic, que foi elevada de 11,25 por cento ao ano em janeiro para os atuais 13,75%, deverá subir para perto de 15% ao ano nos primeiros meses de 2009 e permanecer nesse patamar por um bom tempo, pelo menos até o fim do ano que vem. É o tempo, dizem os especialistas, que a economia vai levar para purgar os excessos cambiais que foram registrados a partir do segundo semestre deste ano.

As consequências dessa decisão não deverão ser muito diferentes do que consta dos livros-texto. Os especialistas apostam em um dólar oscilando ao redor de uma taxa de 2 reais, em empresas revendo para baixo suas estimativas de resultado e na bolsa de valores exigindo uma dose suplementar de paciência dos investidores.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

(

 
Bovespa: ano de volatilidade
 

CELULOSE

Aracruz dispara com expectativa de acordo com bancos

RODOVIAS

BR Vias perde concessão da Marechal Rondon

SEU DINHEIRO

Fundos long and short fecham 2008 no azul

Links Patrocinados

 
 
 

Copyright © 2008, Editora Abril S.A. -
Todos os direitos reservados. All rights reserved.

lude virtual="/agencias/includes/rodapeNoticia_4115.shtml"-->