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A difícil arte da simplicidade

 | 14.12.2006

Presidente da divisão de eletrônicos de consumo da Philips diz que o desafio da indústria é fabricar produtos para quem não é vidrado em tecnologia

 

Divulgação

Provoost: “Nossos engenheiros precisam fazer equipamentos fáceis e prazerosos de usar”

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Por Ana Luíza Herzog

EXAME 

Responsável por 30% do faturamento da Philips, a divisão de eletrônicos de consumo encontra-se numa cruzada para mudar o processo de criação dos engenheiros da empresa, com o objetivo de simplificar os equipamentos. Segundo o presidente mundial dessa área, Rudy Provoost, vai lucrar alto no futuro quem for capaz de lançar produtos úteis e fáceis de ser manuseados pelos consumidores.

1 - Por que o senhor defende a idéia de que a simplicidade é a chave do sucesso para a indústria?
Um produto tem de chegar ao mercado porque o consumidor o desejou e não porque temos uma tecnologia fantástica e queremos fazer alguma coisa com ela. Hoje, cada vez mais pessoas estão interessadas em equipamentos que sejam fáceis e prazerosos de usar.

2 - Os consumidores não querem coisas cada vez mais sofisticadas?
Nem todo mundo é vidrado em tecnologia. Muito pelo contrário. Temos de desenvolver para esse cliente uma televisão que ele possa tirar da caixa sem se irritar e instalar sem a ajuda de manual.

3 - Existem barreiras dentro das empresas que dificultam a criação de produtos mais simples?
Sim, estamos combatendo esses problemas na Philips. Se você fala com um de nossos gerentes de produto ou designers, eles têm opiniões prontas sobre o que o consumidor quer. Minha tarefa é fazer com que eles apaguem essas certezas e passem a observar as reais aspirações das pessoas.

4 - Qual a melhor maneira de descobrir as aspirações dos consumidores?
Uma das boas idéias é a criação de laboratórios de consumidores, espaços em que os clientes testam protótipos em situações do dia-a-dia. Nesses locais, os engenheiros podem ver clientes abrindo caixas, usando o controle remoto e quebrando a cabeça para entender como o produto funciona.

5 - Quais são as tendências que devem dominar o mercado nos próximos anos?
A teledifusão tradicional será, em parte, substituída pelos conteúdos via internet. Também veremos o fim das televisões de tubo e a ascensão das telas planas, com a transição de conteúdos de definição-padrão para a de alta definição. Cada vez mais o usuário exigirá personalização e customização dos produtos. Mas há questões ainda mais amplas com as quais as empresas terão de se preocupar.

6 - Que questões são essas?
As empresas terão de considerar o envelhecimento da população, porque ele coloca toda a questão da saúde e do bem-estar ainda mais em evidência. Não dá para ignorar também os mercados emergentes e o que eles vão representar em 2025, 2050.

7 - Existe uma estratégia ideal para a conquista dos mercados emergentes?
Esses mercados demandam dos executivos um conhecimento mais aguçado sobre como os consumidores se comportam. As pessoas no comando de nossas operações nesses países continuarão a seguir as regras da Philips, mas terão mais autonomia para atuar do que historicamente tiveram.

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