exame/ edição impressa/tecnologia
 

Ele quer bater o Google

O criador do Wikipedia explica como será o novo serviço que pretende se tornar a maior e melhor ferramenta de buscas na internet no mundo
Patrick Fraser / Corbis Outline
Wales: “Nosso site será mais completo”
 
Por Gustavo Poloni  | 16.03.2007

Revista EXAME - 

O analista de sistemas Jimmy Wales tornou-se conhecido com a criação da Wikipedia, biblioteca virtual escrita e atualizada com a ajuda dos internautas. Agora, ele volta à cena com um projeto ainda mais ambicioso: o Wikia Search, mecanismo de buscas que pretende tirar o Google da liderança do mercado. A seguir, ele explica como pretende fazer isso. 

Qual será o principal diferencial de seu novo serviço de buscas na internet?
A grande novidade é que ele usará como ferramenta de buscas um software com código aberto. Isso significa que as pessoas poderão baixá-lo, usá-lo e até alterá-lo para que fique melhor e mais eficiente. A idéia é que o programa tenha a cara dos internautas. As pessoas também poderão julgar os resultados da pesquisa aprovando ou não os links relacionados. O Google não oferece essa possibilidade.

Existem outros pontos fracos no Google?
O principal deles é a falta de transparência, fundamental para a democracia e para a sociedade. Ninguém sabe ao certo quais são os critérios usados pelo Google para realizar suas pesquisas e ordenar os links apresentados por ele.

O Google virou um fenômeno cultural. Não é pretensão demais competir com ele?
O mercado de buscas na internet é muito volátil. As pessoas mudam facilmente de um site para outro quando surge um concorrente com um serviço melhor. Mudar de site de buscas não é como trocar de e-mail, que dá trabalho porque é preciso avisar todos os amigos e contatos de trabalho.

O Google é tido por especialistas como um invento que mudou a vida das pessoas. O senhor acha que o Wikia Search também terá essa vocação?
Tudo na internet tem impacto no dia-a-dia das pessoas. Espero que elas achem o site de buscas tão ou mais interessante que o Google. É claro que espero que ele transforme alguém, ainda que de uma forma mais discreta.

Em quanto tempo o senhor acha que o Wikia Search poderá incomodar o líder do mercado?
Essa é uma coisa muito ambiciosa e que não dá para ser definida agora. O que posso dizer é que vamos crescer lentamente, com a ajuda de 2 000 comunidades que discutem problemas, soluções e inovações para nosso serviço.

Seu primeiro negócio, o Wikipedia, não rendeu nenhum dinheiro. Como será com o Wikia Search?
Até o momento não definimos um modelo de negócios. Mas será alguma coisa parecida com o que faz o Google. Ou seja, venderemos links patrocinados que aparecerão com o resultado das buscas.

O novo serviço de buscas terá algum antídoto contra países que censuram o material das páginas?
Infelizmente, não há como evitar isso. Mas, a longo prazo, os governos perceberão que é uma medida contraproducente. A censura à internet afeta o crescimento econômico de um país e causa problemas às pessoas. Em breve, espero, os governos perceberão que essa política não é a melhor forma de manter uma sociedade saudável.

 
 
Destaques do Portal EXAME