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Gestão & Idéias
| 21.08.2008
EXAME MARKETING
Um galã para ajudar a Avon
Ninguém sabe quantos milhões de dólares o ator americano Patrick Dempsey, galã da série de TV Grey’s Anatomy, vai receber para endossar a nova colônia masculina da Avon, a ser lançada nos Estados Unidos em novembro. O que se sabe é que a companhia de cosméticos, uma das maiores do mundo, gastou 368 milhões de dólares em marketing em 2007 para tentar conferir à sua marca uma aura mais glamourosa. A razão do investimento é que, enquanto em mercados emergentes a empresa cresce, em casa a Avon perde espaço — as vendas aumentaram 60% no Brasil no primeiro trimestre deste ano, mas registraram queda nos Estados Unidos. Uma das explicações para esse resultado é a fraca identidade da marca. A estratégia da empresa conta com outros famosos. Entre eles a atriz Reese Whiterspoon, que há um ano estrela seus anúncios — tarefa até então de modelos deslumbrantes, mas anônimas. Coincidência ou não, as ações da Avon se valorizaram 10% desde a chegada da celebridade.
INOVAÇÃO
Ordem na bagunça
O grupo Fleury, de medicina e diagnóstico, reduziu de 60 para 21 dias o tempo de desenvolvimento de novos produtos desde outubro de 2007. O feito é resultado de um novo método de captação de idéias dentro da companhia. Os empregados, que antes faziam sugestões aos chefes diretos e raramente tinham algum retorno, agora submetem projetos a uma diretoria de inovação e recebem dois pareceres sobre as propostas dentro de um prazo máximo de 25 dias. Com isso, o número de lançamentos feitos pelo Fleury deve aumentar de 50, em 2007, para 81, em 2008
ERGONOMIA
Quanto mais flexível, melhor
Pelo menos três fabricantes de móveis para escritório — as americanas Steelcase e Haworth e a norueguesa HAG — vão lançar nos próximos meses cadeiras para, digamos, estimular a troca de idéias entre vizinhos de baia nas empresas. Os modelos criados pelas americanas trazem encostos flexíveis e com bordas mais suaves para que funcionários se virem para trás e possam conversar. Já o modelo Sideways, desenhado pela HAG em parceria com a empresa de design Izzy, possui um assento de bordas arredondadas — assim fica mais fácil se contorcer para a esquerda ou para a direita e compartilhar experiências com colegas.
CULTURA
O ídolo não é de verdade
Arrojado. É esse o melhor adjetivo para descrever Kosaku Shima. Executivo japonês no comando do Hatsushiba Goyo, um dos maiores conglomerados do Japão, ele corre riscos para levar à frente seu negócio, assume a culpa por erros cometidos ao longo do caminho, é centrado em meritocracia e — diferentemente da imagem que temos dos orientais — estimula mudanças. Tais características explicam por que Shima é um dos homens de negócio mais admirados entre os profissionais japoneses, que acompanham com lupa, há mais de 20 anos, sua ascensão no grupo — de simples funcionário a presidente. O curioso, porém, é que Shima não é um homem de verdade, mas o protagonista de um mangá, tradicional história em quadrinhos japonesa. E sua saga faz tanto sucesso porque ele representa tudo o que os executivos do país não são, mas gostariam de ser (mais ou menos como o brasileiro Carlos Ghosn, que ao presidir a montadora Nissan também se tornou protagonista de uma história em quadrinhos japonesa). Para especialistas, porém, a popularidade do gibi é um sinal claro de que eles gostariam de mudar — só não têm coragem.