Revista EXAME
SIDERURGIA
O aço perde força
Como era de esperar, o setor siderúrgico, que há anos vinha batendo recorde atrás de recorde de vendas, não passará ileso pela crise financeira mundial. As primeiras previsões do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço para 2009 projetam queda de 30% nos três primeiros meses na comparação com o primeiro trimestre deste ano. O instituto, que representa os revendedores do produto, estima que a redução de atividades em setores como o automotivo e o de máquinas e equipamentos será a grande responsável pela queda nas vendas no início do ano. A crise também deverá afetar as grandes siderúrgicas, que vendem direto a grandes consumidores. A Usiminas, maior fabricante de aços planos do país, reduziu 5% a projeção de vendas de 7,8 milhões de toneladas para este ano por causa do desaquecimento na indústria. A revisão terá um impacto de 400 000 toneladas vendidas a menos pela empresa.
Quadro
PATROCÍNIO
Trégua para a AmBev
Depois de brigar por cerca de um ano com a Vivo e conseguir triplicar o valor que recebia da operadora de telefonia celular, para 15 milhões de dólares por ano, agora a CBF prepara-se para rever o contrato que tem com a AmBev. A AmBev paga atualmente 10 milhões de dólares por ano. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, já avisou que quer os mesmos 15 milhões de dólares anuais pagos pela Vivo e pelo recém-chegado banco Itaú. Mas, diferentemente da postura de litígio que marcou a negociação com a operadora, Teixeira já se mostrou mais compreensivo com a AmBev. A bondade de Teixeira tem um motivo: a empresa, que faz parte da InBev, está sendo afetada pela compra da americana Anheuser-Busch e pela crise financeira mundial. A CBF deu quatro meses para voltar a falar sobre o reajuste.
VAREJO
A que mais cresce no mundo
O Brasil ganhou destaque na operação global da rede francesa Fnac. A operação brasileira, única fora da Europa, é a que mais cresce no mundo, com aumento de 30% sobre as vendas de 2007. As principais operações do grupo — França, Espanha e Portugal — registram queda ou, na melhor das hipóteses, estabilidade na receita. A área de eletrônicos é a que comanda o crescimento no Brasil, respondendo por metade das vendas. Mas o destaque mais recente é a área de produtos infantis, que engloba livros, filmes e aparelhos eletrônicos. A venda de produtos para crianças cresceu tanto que, no último mês, todas as lojas da Fnac foram reformadas e a área infantil passou de 50 para 100 metros quadrados.
TELECOMUNICAÇÕES
Uma internet diferente
Depois de chegar pela linha do telefone, pelo cabo da operadora de televisão e pelos telefones celulares, o serviço de internet banda larga será oferecido pela tomada de eletricidade. A Eletropaulo investiu 20 milhões de reais em sua estrutura de fibras ópticas para oferecer acesso à internet em 300 prédios de Moema, bairro de classe alta de São Paulo. O serviço será prestado por operadoras de telefonia, que pagarão pelo uso da rede, já que a Eletropaulo não tem autorização para esse tipo de operação. A empresa tem uma rede de 2 000 quilômetros de fibra óptica, mas apenas 70 quilômetros estão preparados para a banda larga. Para 2009, a Eletropaulo planeja investir na expansão do negócio e ampliar a oferta para parte dos 24 municípios que atende.
BEBIDAS
No embalo do vinho
O crescente interesse pela cultura do vinho fez surgir dezenas de importadoras e lojas do produto no país nos últimos anos, além de roteiros de viagens, cursos e até tratamentos de beleza que têm na bebida sua fonte inspiradora. Agora surge em São Paulo um espaço que reúne todos esses serviços em um único lugar, com direito a bar e spa com banhos de imersão no vinho. Batizada de Wine Pro, a primeira loja será aberta em novembro na avenida Cidade Jardim, ao lado do concorrente Empório Santa Maria. Os sócios Marcelo Toledo e Egidio Silvestri planejam investir 40 milhões de reais para abrir 15 lojas nos próximos três anos, em seis estados.
POLÍTICA
A força do baixo clero
As disputas pela presidência da Câmara dos Deputados e do Senado estão em ritmo de definição. As pretensões do petista Tião Viana para o Senado parecem estar muito próximas do fim. O ex-presidente José Sarney, do PMDB, teria aceitado disputar o cargo e há grande chance de que ele seja aclamado como candidato único. A provável eleição de Sarney fortalece na Câmara a campanha do desconhecido deputado Ciro Nogueira, do PP do Piauí. Nogueira, típico representante do baixo clero do Congresso Nacional, tem como principal adversário o bem mais tarimbado Michel Temer, do PMDB. Mas como uma dobradinha entre Sarney e Temer daria muita força ao PMDB, o que não é bem-visto por diversas lideranças da casa, as possibilidades de Nogueira aumentaram muito.
TELEMARKETING
Preparada para crescer
A Atento, empresa de call center do grupo espanhol Telefónica, acaba de inaugurar seu maior centro de atendimento no mundo, com mais de 7 000 atendentes, 22 000 metros quadrados e investimentos de 30 milhões de reais. A nova unidade, instalada na zona norte de São Paulo, foi aberta menos de um mês depois de o ministro da Justiça, Tarso Genro, assinar uma portaria determinando que o tempo máximo de espera dos consumidores não poderá ultrapassar 1 minuto. Os executivos da empresa afirmam que a unidade recém-inaugurada foi planejada antes da assinatura da portaria, mas, de olho no provável aumento da demanda, a Atento já prepara o lançamento de três novos centros no próximo ano.
CURTAS
Fim da parceria?
A parceria de cinco anos entre o São Paulo Futebol Clube e a coreana LG está próxima do fim. O contrato, que termina no início de 2009, não será renovado. A LG paga 15 milhões de reais por ano e ofereceu 25 milhões para renovar. Mas isso foi antes da crise. Agora os coreanos dizem que não renovariam nem pelo valor atual. E o São Paulo garante ter ofertas superiores a 25 milhões de reais.
A chinesa AOC é uma das favoritas a assumir o lugar da LG.
Bye-bye, Daslu
A Daslu completa 50 anos de existência com algumas baixas. Cerca de dez lojas instaladas na majestosa Villa Daslu, em São Paulo, desistiram de pagar seus altos aluguéis. Marcas como Track and Field e Kopenhagen não renovaram seus contratos. A Daslu confirma a saída de apenas cinco lojas e afirma que há cerca de 50 pretendentes às vagas abertas.

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