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Um prazer que move economias e transforma países

 | 05.04.2007

 

O resort Costão do Santinho, em Santa Catarina: investimentos no setor cresceram nos últimos anos

Por Cláudia Vassallo

EXAME 

Até pouquíssimo tempo atrás, o turismo era tratado no Brasil como um setor econômico periférico, uma atividade que se desenvolvia quase por inércia e para a qual o país já tinha tudo de que precisava: paisagens deslumbrantes, um povo festivo e diversidade cultural. Economistas, iniciativa privada e governo cultivaram a crença de que o sucesso nessa área eram favas contadas, algo determinado pela natureza há centenas de milhares de anos. Afinal, o Brasil havia sido abençoado com praia e sol, enquanto outros países sofriam com o frio e com desastres naturais de toda ordem. Transformar, portanto, o Brasil na grande potência mundial do turismo era apenas uma questão de tempo.

Pois o tempo passou. E outros países mostraram que um trabalho bem-feito nas áreas de infra-estrutura, marketing e segurança, aliado a tais belezas naturais ou a atrações culturais, poderia render muitos bilhões de dólares em divisas num círculo virtuoso de investimentos, geração de empregos, aumento da renda e -- ao fim de tudo -- mais investimentos. Países como a Espanha transformaram o turismo na grande locomotiva de sua economia. Durante muito tempo, o Brasil apenas assistiu à transformação do turismo na maior indústria do mundo. Sua participação nela manteve-se marginal. Demorou até que o governo e mesmo o mercado se dessem conta de que ter praias paradisíacas e outras paisagens exuberantes era um começo. Um bom começo, mas apenas isso. O restante do caminho é percorrido à base de muita gestão profissional, capacidade de atração de investimentos e visão de negócios.

Nos últimos quatro anos, as verbas do governo para o setor cresceram dez vezes. Metas foram traçadas, a exemplo do que acontece em qualquer empresa da iniciativa privada. Esse movimento pode ser visto como um primeiro passo. O Brasil, como se verá no decorrer das 143 páginas desta edição, terá de superar uma infinidade de obstáculos até se candidatar ao posto de potência do turismo mundial. Eles vão da situação lastimável dos aeroportos e das estradas às condições de segurança nas principais cidades do país, da burocracia que abre os braços toda vez que um turista estrangeiro chega aqui à falta de profissionais especializados e preparados para lidar com as expectativas de um público num momento -- as férias, a lua-de-mel, um congresso -- de grau máximo de exigência. Consertar tudo isso pode ser uma tarefa de anos. O fato é, porém, que o capital internacional acredita que as deficiências brasileiras serão resolvidas. E expressa essa crença colocando dinheiro como nunca aqui. Há, hoje, em projeto ou em execução nas mais diferentes partes do país 150 empreendimentos hoteleiros. E, nos últimos anos, o número de turistas estrangeiros cresceu 70%.

Esse é um setor em profunda transformação, com impactos gritantes sobre toda a economia brasileira. Com sua enorme demanda por profissionais qualificados e sua cadeia de negócios que se estende por uma infinidade de atividades, o turismo está transformando a paisagem econômica de várias regiões do país. Traçar a maior e mais acurada análise da indústria brasileira desse setor é a missão do ANUÁRIO DE TURISMO EXAME, uma iniciativa pioneira do mercado editorial do país. O resultado desse trabalho pode ser acompanhado nas próximas 143 páginas editoriais. Após quatro meses de trabalho, a equipe de jornalistas e editores do anuário reuniu dados inéditos do turismo brasileiro, construindo um banco de dados precioso para traçar novas prioridades e projetos para o setor. Como tantos outros setores da economia brasileira, o turismo ainda carece de números e estatísticas. Muitos estados -- muitos deles com enorme potencial para o desenvolvimento da atividade -- não tinham nem sequer dados disponíveis sobre a participação do turismo em relação ao PIB ou sobre o gasto per capita dos turistas que os visitavam. Coube à equipe do ANUARIO EXAME -- formada por 33 jornalistas, coordenados pelos editores executivos Maurício Lima e Sérgio Ruiz Luz -- fazer os cálculos. Durante quatro meses, esses profissionais se entregaram à investigação exaustiva de tudo o que fosse relacionado ao turismo -- no Brasil e no mundo. O resultado desse trabalho, os mais de 6 000 dados coletados, poderá ser apreciado também em inglês. Uma versão será distribuída no exterior e estará disponível na internet (www. exame.com.br) para os assinantes de EXAME. Esperamos que você se informe e sobretudo se inspire.

Cláudia Vassallo
Diretora de Redação

 
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